[dropcap style=”style3″]U[/dropcap]ma das primeiras coisas que você precisa saber quando planejar o trekking para o Monte Roraima é que a contratação de um guia é obrigatória. Não dá para ir por conta própria, existe esse controle logo no início do passeio, em Paraitepui. Sabendo disso, o próximo passo é procurar esse guia. Sei de pessoas que contactaram diretamente guias, sem o intermédio de agências. Mas o mais comum e fácil é recorrer às agências mesmo.

Uma agência muito bem recomendada aqui no Brasil é a Roraima Adventures. Em algumas pesquisa no site deles, vi que possuem opções de roteiros de mais dias no Monte Roraima, que pareceram interessantes. Mas a questão dos preços pesa negativamente. São muito mais caros do que os pacotes fechados nas agências venezuelanas. Eu não tive dúvidas na hora de planejar, optei mesmo por fazer o trekking com uma empresa da Venezuela. A comunicação pessoalmente e via e-mail é muito tranquila, não vejo motivos para escolher uma opção mais cara.

Mas qual agência venezuelana escolher? Em Santa Elena tem várias, mas algumas são mais famosas: a Backpacker, a Kamadac, a Mystic e a Turistico Alvarez. A primeira tem uma boa reputação. Dormi na posada de mesmo nome e dono, e achei o atendimento bom. A Kamadac conheço por indicação de um grupo que conheci durante o trekking pelo Monte Roraima. O guia era muito bom e a comida deles, idem.

Por e-mail eu quase fechei o trekking com a Mystic, principalmente pela qualidade do atendimento. Respondiam sempre com muita rapidez, eram atenciosos e ofereciam muitas informações. A pessoa com quem troquei e-mail me enviou vários documentos em Word com informações muito bem detalhadas de como seria o passeio, valores, equipamentos, dicas de equipamentos, etc.

O fato é que eu optei pela Turistico Alvarez, que nada mais é que a “empresa do Francisco”. O dono aqui é mais famoso que a agência. Havia lido relatos bons sobre o ele no mochileiros.com, outros nem tanto no site da Lonely Planet. Quais foram os meus critérios de escolha? Basicamente a disponibilidade de saída para o trekking na data que eu queria e o menor preço do mercado. Enquanto todos pediam um preço padrão de 13.500 bolívares (R$ 540) pelo passeio de 6 dias, o Francisco cobrava 12.200 (R$ 488). Fiquei apalavrado com ele que faria o trekking e que pagaria tudo apenas em Santa Elena.

Quando cheguei na cidade, liguei para ele da Posada Michelle, que parece ter alguma parceria com ele. A ligação custou míseros 2 Bs. Resumindo, o Francisco é um cara que fala muito e muito rápido, típico vendedor malandro que tenta te convencer na lábia e te vencer pelo cansaço. Se eu voltasse a Santa Elena com tempo mais flexível para fazer o trekking, não escolheria a agência dele de novo. Primeiro, que o preço mais baixo foi justificado pela quantidade de pessoas no nosso grupo: 15 contando comigo. Os outros grupos que encontramos pelo caminho tinham no máximo 5, o que é o ideal.

Em grupos grandes, os ritmos de caminhada são muito distintos e o guia não consegue acompanhar todos mesmo com os carregadores de auxiliares. O fator mais importante para mim, no entanto, foi a falta de honestidade em duas ocasiões importantes. Ter mentido sobre o valor que os outros 12 integrantes venezuelanos do grupo pagaram pelo passeio e ter tentado me enrolar com o passeio seguinte que eu faria pelo Salto Angel.

No geral, todos os pacotes incluem alimentação, barraca e isolante térmico. O viajante precisa trazer seus pertences pessoais, comida extra que quiser e saco de dormir. A agência do Francisco também forneceu papel higiênico extra, saco plástico para proteger o isolante térmico da água, um saco transparente grosso para cobrir as roupas e o saco de dormir, além de um mapa.

Uma das principais dúvidas é: reservar o trekking já de casa ou fechar na hora? Se o seu tempo é curto e contado, melhor reservar com antecedência. Faça isso principalmente em épocas de temporada alta, como nos feriadões. Caso tenha flexibilidade, melhor esperar para fechar em Santa Elena e chorar um valor mais barato. Quando você vai sozinho, como eu, existe um risco maior de ter de esperar um ou dois dias para que um grupo seja fechado. Em grupos de quatro ou cinco pessoas, já dá para negociar a sua data de preferência para começar o trekking.

Quanto ao tempo de  trekking, existe o padrão, que é de 6 dias. Algumas agências fazem em 5 dias e outras em 8. São os três tipos mais comuns. Para as minhas pretensões do momento e tempo muito curto de viagem, 6 dias foram ideais. Ritmo bom, tempo suficiente para eu ver tudo o que queria. Mas com mais tempo, talvez em outra oportunidade, eu optaria pelo trekking de 8 dias. Nessa alternativa, é possível ficar mais tempo no topo do Monte Roraima, explorá-lo com mais calma. Esse roteiro costuma incluir a ida e pernoite no acampamento Coatí, do lado brasileiro, e visita a alguns pontos mais ao norte como o Lago Gladys.

[space space_height="20"][heading heading_text="Resumo dos custos"]
  • Passagem aérea ida e volta para Boa Vista: R$ 800 (vindo do Rio de Janeiro)
  • Táxi aeroporto x rodoviária: R$ 30
  • Ônibus Boa Vista x Pacaraima: R$ 20,50
  • Táxi da fronteira até Santa Elena: R$ 2 (50 Bs)
  • Posada Backpacker (1 noite): R$ 16 (400 Bs)
  • Almoço (restaurante a quilo): R$ 4,64 (116 Bs)
  • Jantar (pizza na pousada): R$ 12 (300 Bs)
  • Água, biscoitos, frutas para o trekking: R$ 10 (250 Bs)
  • Pacote Monte Roraima 6 dias: R$ 488,00 (12.200 Bs)
  • Táxi Santa Elena x Pacaraima: R$ 2 (50 Bs)
  • Táxi coletivo Pacaraima x Boa Vista: R$ 35,00

TOTAL: R$ 1420,14


Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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