O meu objetivo com os textos publicados aqui sobre o Paraguai é desmistificar um pouco a imagem negativa do país. Mas é preciso fazer ser sincero com alguns detalhes que podem tornar a viagem um pouco mais desconfortável. Ou emocionante, dependendo do seu ponto de vista. Um destes elementos que merecem capítulo à parte são os ônibus. Concorrem de muito perto com os bolivianos e peruanos (na minha opinião até vencem) nos quesitos velharia e excentricidade. Prepare-se para encará-los se a ideia é vivenciar uma experiência mais autêntica.

Podemos dividi-los em duas categorias: os ônibus intermunicipais, que ligam principalmente as cidades de Assunção, Encarnación e Ciudad del Este; e os municipais, que circulam apenas entre os bairros de cada uma delas. Os primeiros são, normalmente, superiores aos segundos. O que é mais lógico, já que as distâncias percorridas são maiores. Mas não espere o máximo de conforto. Claro que estou sendo mais crítico e existem ônibus “executivos”, mas a maioria ainda é de “convencionais” meia-boca.

Cadeiras pouco reclináveis, com um estofado que parece nunca ter visto água. O ar-condicionado parece estar lá, afinal os buraquinhos por onde o ar deve passar são visíveis acima da cabeça. Mas para eles funcionarem você deve estar em um dia de sorte. Não recomendaria muito o banheiro, a não ser em casos de emergência. Mas frescuras à parte, com um relaxante muscular, um bom travesseiro e um aparelho de MP3 você dorme e nem percebe.

Algumas das principais empresas que operam linhas intermunicipais são Nuestra Señora de la Asunción (NSA), La Encarnacena, Rysa e Pycasu. Como os sites não costumam funcionar perfeitamente (o da NSA é o melhorzinho), é mais provável que você consiga comprar as passagens no local mesmo. Comprar online e com antecedência é um luxo até dispensável. Como o Paraguai não é um lugar com grande procura turística, costuma ser tranquilo obter passagens diretamente nos guichês das empresas.

Como já dito, as principais rotas são entre Ciudad del Este, Assunção e Encarnación. Como as três formam quase um triângulo equilátero no mapa, distâncias e preços são muito parecidos. Costumam custar entre 50 e 80 mil guaranis (20 e 40 reais, aproximadamente), durar entre 5 e 7 horas de viagem. O tempo é bem relativo, pois depende do número de paradas que a empresa faz, da boa vontade do motorista e da condição do ônibus. Bom que é sempre uma surpresa, 😛

  • SITE PARA CONSULTAS (rodoviária em Assunção) – http://www.mca.gov.py/toa.htm

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Se é possível ter um conforto razoável em viagens intermunicipais, o mesmo não pode-se dizer dos ônibus municipais. Em Assunção, principalmente, eles são muito peculiares. Tanto a foto que abre o post quanto essas duas acima são alguns bons exemplos. São veículos bem velhos e capengas.Não deve ser muito agradável ter que encará-los no dia a dia, principalmente indo para o trabalho. Mas que são muito interessantes pelo estilo e pelo colorido, isso são.

Como estamos falando de ser turista e não morador, é tranquilo andar neles para conhecer os principais atrativos da cidade. Táxis são dispensáveis. Um ponto que conta a favor deste tipo de locomoção é que os motoristas costumam ser prestativos. Sempre que precisei perguntar se tal ônibus ia pra tal direção, eles me respondiam com educação e simpatia. Andar nas latas velhas ficava até mais divertido.

Mas nada se compara ao ônibus que faz o trajeto entre as ruínas de Jesus de Tavarangüe e a estrada principal. Mais remendado impossível. Tão enferrujado que você fica corre o risco de pegar tétano só de andar nele. Não, não chega a ser perigoso. É só uma piada. Mas observe o interior dele na foto abaixo. Você quica nele durante todo o caminho e balança de um lado pro outro. Mas pode ter o privilégio de ouvir músicas regionais paraguaias e o motorista falando na língua indígena guarani com algum passageiro. Arranhando no espanhol dá até pra escutar umas boas histórias do sujeito.

Resumindo, andar de ônibus no Paraguai torna a viagem mais autêntica, digamos assim. É o tosco que diverte e rende boas histórias depois. E acredite: os destinos sempre fazem o caminho valer a pena.

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