Agora que já mostrei nos posts anteriores que o Paraguai não é só um país para gastar dinheiro com muamba, podemos voltar a conversar sobre compras por lá. Afinal, eu disse que o país não se resumia a isso, mas todos sabemos que os preços mais em conta dos produtos são irresistíveis. E a cidade que concentra o comércio mais popular e atrativo é Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. Já fui pelo menos cinco vezes lá, por ter familiares que moram perto. Na última vez, arrisquei comprar algo mais caro: uma câmera fotográfica profissional. A diferença de preço para o que era cobrado no Brasil foi gigantesca. Cerca de 50% mais barato. Depois de 3 anos, a máquina continua funcionando bem.

Como chegar em Ciudad del Este

No Paraguai, é provável que você venha de Encarnación ou Assunção. Viagens de ônibus geralmente duram entre 5h e 6h. É o tipo da coisa que não dá pra prever com muita segurança, já que os ônibus paraguaios são uma aventura à parte. Descendo na rodoviária de Ciudad del Este, em 10 minutos você chega no centro nervoso da cidade. Dá pra ir de táxi, mototáxi ou  ônibus urbano.

Quem vem do Brasil faz a travessia por Foz do Iguaçu e atravessa a Ponte da Amizade. Também não tem muito mistério. Alguns optam por serviços personalizados de van, feitos por agências de turismo ou hotéis. A vantagem desse tipo de serviço é que os caras indicam lojas e shoppings de acordo com o que você quer comprar. Isso evita roubadas. Mas, sinceramente, basta ter o mínimo de esperteza para ir por conta própria e se divertir lá. Em Foz do Iguaçu, táxis, mototáxis e ônibus te levam até o outro lado da fronteira. E, claro, te trazem de volta.

Quem quer economizar, chegar rápido e gosta de fortes emoções, o mototáxi é a opção. Dá pra negociar a viagem por R$ 5. Um pouco mais conservador? Linhas de ônibus internacionais saem de um ponto localizado em frente ao Terminal de Transporte Urbano, em Foz. Passagem por volta dos R$ 4. A distância do Terminal para o centro de Ciudad del Este é de 7km. Com trânsito normal, esse tempo seria de menos de 15 minutos. Mas essa opção não existe muito. A ponte está sempre engarrafada, o que pode fazer o percurso durar até uma hora. Em caso de estresse, não se acanhe. Desça no meio do caminho e atravesse a ponte caminhando.

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Alfândega e imigração

Quando o objetivo é apenas fazer compras em Ciudad del Este e retornar para o Brasil, não é necessário fazer nenhum tipo de procedimento burocrático. Atravesse a fronteira como se você ainda estivesse em solo tupiniquim. Caso a ideia seja seguir viagem pelo Paraguai, pare na imigração e registre a saída e a entrada no país vizinho. É aceito tanto o passaporte como o RG.

Depois das compras, é hora de encarar a alfândega. O negócio na Ponte da Amizade é tão doido e lotado que a fiscalização dos produtos que estão entrando no Brasil é feita por amostragem. Fui parado umas duas vezes já. Eles revistaram a minha mochila em busca de produtos falsificados e pra ver se tinha estourado a cota de importação. Nas outras vezes, passei direto. Ou seja, não dê bobeira, é sempre loteria. Para não ter que declarar os produtos e não ser taxado, o limite máximo de compras é de 300 dólares por pessoa.

Onde e como comprar?

As lojas em Ciudad del Este costumam abrir às 7h e fechar às 17h, no horário de Brasília. Lá no Paraguai, das 6h às 16h, já que pelo fuso horário eles estão uma hora atrás. Espere encontrar a maioria das lojas funcionando de segunda a sábado. Domingo, é raro encontrar algo aberto. Os produtos são comercializados em guarani, real e dólar. A moeda dos Estados Unidos costuma ser a mais vantajosa.

A dica para quem escolhe essa opção é converter o dinheiro no Brasil antes de cruzar a fronteira. Muitos lugares aceitam cartão de crédito, mas costumam cobrar uma taxa de até 10% sobre o valor da compra. Isso mais o IOF, não é lá muito vantajoso. Mas se essa for a sua opção, lembre-se de liberar o cartão com a operadora antes da viagem. O esperto que vos escreve esqueceu esse detalhe certa vez e teve o cartão bloqueado logo depois de uma compra.

Uma vez no centro de Ciudad del Este, aprecie com moderação e precaução. Há opções para todos os gostos: bebidas, roupas, eletro-eletrônicos, artigos de decoração, perfumes, etc. Mas nem toda loja é confiável. Uma grande barbada pode se revelar a maior roubada e causar prejuízo. Evite camelôs e estabelecimentos com aparência duvidosa.

Os preços costumam ser bem melhores no Paraguai, mas não existe milagre. Se o produto estiver barato demais, desconfie. Achou um eletrônico legal? Peça sempre pra testar antes. O item comprado vem em uma caixa? Depois de receber, abra na frente do vendedor pra se certificar de que o produto está ali dentro mesmo.

Boas referências são os shoppings que existem há um tempão na cidade. Logo na fronteira, está o Shopping del Este. Foi nele que comprei minha máquina fotográfica. Lá, também há lojas de cosméticos e vestuário, por exemplo. No último andar há uma praça de alimentação pra quem quiser comer sem correr grandes riscos. Casa Nissei e Monalisa são outros dois shoppings com boas referências. É possível até, no caso da Casa Nissei, verificar alguns produtos online e os respectivos preços pra já ter uma ideia antes da viagem.

Com esse resumo, acho que já dá pra você ter também um dia de muambeiro.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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