Ele é líder disparado de visitas no Rio de Janeiro. Em 2013, segundo dados da Secretaria de Turismo, quase um milhão e meio de pessoas (1.474.243) pegaram o bondinho para conhecer uma das melhores vistas da Cidade Maravilhosa. Em 2014, só no período da Copa do Mundo foram mais de 175 mil visitantes. O Pão de açúcar disputa com o Corcovado o posto de principal cartão-postal da cidade. E na minha opinião, para quem tem pouco tempo e precisa escolher um dos dois, o Pão de Açúcar é o mais indicado. O passeio de bondinho, os mirantes, as pequenas trilhas na mata, as possibilidades de alimentação e de entretenimento fazem dele uma opção mais completa.

Não é um passeio barato. Pelo contrário. Os valores cobrados atualmente são um exagero. Caso você não esteja nos grupos que recebem desconto, vai ter que desembolsar R$ 62. Mas é daquelas experiências que fazem você encarar a “facada”. Lá de cima, você consegue ver as principais paisagens do Rio.

Com um dia de céu aberto e uma câmera razoável, é possível conseguir boas fotos aéreas de muitas atrações da cidade. Alguns exemplos: praias de Copacabana e Ipanema, Pedra da Gávea, o Corcovado, a Baía de Guanabara, a Ponte Rio- Niterói, o centro da cidade, o aeroporto Santos Dumont. É possível até avistar parte da serra fluminense, como a montanha chamada de “Dedo de Deus”.

Dali de cima, embasbacado com a paisagem, é praticamente impossível não se apaixonar pela cidade. E fica mais fácil entender porque tantos insistem em dizer que ela é a mais linda do mundo.

Um pouco de história

Crédito: André Koehne / Wikimedia Commons
Crédito: André Koehne / Wikimedia Commons

O cálculo é de que os morros tenham mais de 600 milhões de anos. O Rio foi fundado oficialmente aos pés deles em 1º de março de 1565 pelo militar português Estácio de Sá. Na época, era um lugar estratégico para proteger a cidade de invasores. Mas a ideia de torná-los uma atração turística mais acessível começou a ganhar forma em 1912. No dia 27 de outubro daquele ano, foi inaugurado o primeiro trecho do bondinho, que ligava a Praia Vermelha ao Morro da Urca.

O segundo trecho, do Morro da Urca ao morro do Pão de Açúcar foi inaugurado cerca de três meses depois, em 18 de janeiro de 1913. Imagina a dificuldade para ativar as linhas naquela época. Algumas fontes dizem que foram necessários cerca de 500 operários, que faziam também o papel de escaladores. De lá para cá, cabos e bondinhos foram modernizados. A capacidade que no início era de 17 pessoas aumentou para 65. Por hora, são 1200 pessoas transportadas na alta temporada.

Como curiosidade, o bondinho e a paisagem já fizeram parte do cenário de alguns filmes. O mais famoso foi o do 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979, em que há uma luta surreal entre o espião 007 e um inimigo grandalhão tosco. Pra quem tem medo de altura, um alento: em mais de 100 anos foram apenas três acidentes. Em nenhum deles houve vítimas. Em 1935, uma bala de canhão atingiu a estação da Praia Vermelha em meio a Intentona Comunista. Em 1951 e em 2000, a história foi parecida: um cabo arrebentou e os passageiros ficaram parados durante um tempo esperando o resgate. Ou seja, visite sem medo, pois é seguro.

Como chegar?

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O acesso ao Pão de Açúcar se dá no bairro da Urca, que fica na Zona Sul do Rio. Aí no mapa, dá pra ver que geograficamente é muito fácil se localizar. Para quem vem de carro particular ou táxi, é moleza. Basta vir pela Avenida Pasteur e estacionar nas proximidades da bilheteria, na praça General Tibúrcio. Quem opta pelo transporte público, fica dependente do ônibus para chegar aqui (como quase tudo no Rio).

Metrô não é uma opção muito viável, pois a estação mais próxima é a de Botafogo (distante 2,2 km da bilheteria do Bondinho ou 30 minutos andando). Dá também pra descer nessa estação e andar até o ponto de ônibus da rua Nelson Mandela, próximo do número 27. Lá, é pegar o ônibus 513 em direção à Urca e saltar no ponto indicado no mapa acima. Veja itinerários mais recomendados abaixo:

  • Zona Norte/Centro – A melhor opção para quem vem da Zona Norte é pegar um ônibus e saltar na Central do Brasil. De lá sai o ônibus 107. No caminho, ele passa por alguns outros pontos estratégicos como a Avenida Passos e a Praça Tiradentes. E passa no ponto mais próximo do Bondinho, indicado no mapa acima.
  • Zona Sul – Quem vem do Leblon, Ipanema, Humaitá, Jardim Botânico e Copacabana, o 511 e o 512 são as opções que passam no ponto mais próximo do Bondinho, indicado no mapa acima. O 513, que eu já mencionei, serve basicamente para quem está em Botafogo, pois tem um itinerário bem curto.
  • Barra/Zona Oeste – melhor pegar um ônibus para a Zona Sul e seguir as indicações acima.

Tá com disposição para caminhar ou pedalar? Venha pelo Aterro do Flamengo, passando pela Enseada de Botafogo e entre na Avenida Pasteur. Você já vai ter a melhor vista do Pão de Açúcar (essa da foto que abre o post, da Enseada de Botafogo) e passar por outros pontos turísticos do Rio. Na Avenida Pasteur, na Urca, vai poder ver prédios clássicos da cidade como o da UFRJ, o da UNIRIO e o do Instituto Benjamin Constant. Do Shopping Rio Sul, em Botafogo, também rola uma caminhada boa.

Informações gerais e serviço

Assim como recomendo no Corcovado, é sempre bom levar uma blusa de frio para o Pão de Açúcar. O dia pode estar muito quente, como é normal na maior parte do tempo no Rio, mas lá em cima costuma bater um vento mais gelado. Principalmente no fim do dia.

Uma boa maneira de evitar filas na bilheteria é comprar o ticket na internet. A desvantagem é que você vai ter que pagar 10% do que eles chamam de “taxa de conveniência”. Em épocas de grande movimento, como o verão e os feriados, talvez compense antecipar a compra. Avalie.

Alguns números para curiosidade. A altura do Morro da Urca é de 220 metros. A do Pão de Açúcar, 396 metros. A distância percorrida pelo bondinho da Praia Vermelha até o Morro da Urca é de 538 metros. A distância entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar é de 749 metros.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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