Tenho a impressão de que todo brasileiro fica um pouco abobado com castelos. Talvez porque não tenhamos muitos exemplares daqueles mais pomposos por aqui. Quando vamos para a Europa, são geralmente as construções que mais nos fascinam. Como, então, não ficar encantado com Neuschwanstein, na região da Baviera, na Alemanha?

É o castelo que mais lembra aquelas representações que vemos nos livros e filmes de contos de fadas. Não à toa, dizem que ele serviu de inspiração para o símbolo da Disney. Quase um milhão e meio de pessoas visitam o castelo anualmente, e ele é considerado um dos principais cartões-postais da Alemanha.

Neuschwanstein é uma ótima opção de passeio de um dia para quem está em Munique. Com um pouco de organização, é possível ir e voltar de trem, sem ser muito cansativo, e ainda conhecer o castelo de Hohenschwangau. Quem está hospedado em outra região da Rota Romântica, ou até indo ou vindo da Áustria, também pode incluí-lo no roteiro, antes de seguir viagem. Abaixo, você vai conferir as principais dicas para visitar a região e ver algumas fotos para ficar sonhando com as próximas férias.

1° passo: conheça um pouco da história

Um resumo básico para não chegar boiando na região. Antecipar alguns conhecimentos tornam o passeio mais prazeroso e produtivo. O grande personagem desta história aqui se chama Ludwig II, ou em uma tradução mais próxima, Luís II. Ele foi rei da Baviera entre 1864 até 1886. Os inimigos o chamavam de louco, pelo jeito excêntrico, e possivelmente como uma estratégia política para tirá-lo do trono. Ele ficou muito conhecido pelo legado arquitetônico, artístico e cultural que deixou no país.

A residência de infância de Luís II foi o castelo de Hohenschwangau (foto abaixo), que também pode ser visitado hoje em dia. Quem o construiu foi seu pai, Maximiliano II. Quando este morreu, Luís tinha 18 anos e foi obrigado a assumir o trono. Logo nas primeiras semanas de reinado, convidou o compositor Wagner para conhecer a região e patrocinou alguns dos trabalhos dele.

Na parte política, Luís perdeu significativamente poder com a unificação dos reinos germânicos em uma só nação. A partir daí que ele ampliou os projetos criativos, que incluem a construção do castelo de Neuschwanstein (foto que abre o post).

Os gastos com os palácios e as novas construções fizeram o rei ser questionado pelos ministros, já que a região da Baviera estava cheia de problemas financeiros. Foi, então, armado um golpe para destroná-lo. Os ministros preparam todo um dossiê para considerá-lo louco e tirá-lo do poder. Alegavam que ele tinha uma timidez patológica, vivia em um mundo de fantasias, conversava com pessoas imaginárias e possuía um jeito infantil. Mesmo sem os devidos exames clínicos, foi preso e expulso do trono.

Misteriosamente morreu afogado um dia depois, juntamente com o seu psiquiatra. Ao que tudo indica, foram assassinados. O mais curioso é que ele não conseguiu ver o castelo de Neuschwanstein, sua obra prima, pronto. A obra foi concluída sete semanas depois da morte dele. E o que na época foi visto como motivo de ruína financeira do reino, nos dias atuais é uma das principais fontes de renda do estado da Baviera.

2°  passo: monte a programação

Para sair de Munique e fazer os dois castelos no mesmo dia, é preciso organizar bem os horários do trem e das visitas. Tenha em mente o tempo médio de duração de cada uma das etapas deste dia. Claro, depende muito do seu ritmo de caminhada. Por isso, é só uma média:

– Trem Munique x Füssen: 2 horas
– Ônibus Füssen x bilheteria Hohenschwangau: 15 minutos
– Tempo para retirada de ingresso (comprado online): 5 a 20 minutos
– Caminhada entre a bilheteria e o castelo de Hohenschwangau: 20 a 30 minutos
– Tempo de visita no castelo Hohenschwangau: 35 minutos
– Caminhada entre o castelo de Hohenschwangau e o castelo de Neuschwanstein: 20 a 40 minutos
– Tempo de visita no castelo Neuschwanstein: 30 minutos

3°  passo: reserve os ingressos pela internet

Por serem atrações muito procuradas, é recomendável antecipar a compra das entradas para os dois castelos. As visitas têm uma duração cronometrada, têm hora marcada e vagas limitadas para cada um desses horários. Deixar para comprar em cima da hora não só pode significar encarar uma fila bem grande, como te obrigar a fazer os passeios em horários bem mais tarde do que o planejado.

Eu fiz as visitas em setembro deste ano e o fato de ter reservado os tíquetes fez realmente a diferença para que o passeio fosse tranquilo e sem muita demora. Importante, o ingresso deve ser pego até uma hora antes do primeiro passeio na bilheteria. Caso contrário, eles podem mudar o horário da sua visita. Clique no link abaixo para fazer a reserva:

https://www.hohenschwangau.de/765.0.html

A desvantagem da reserva online é que você precisa pagar € 1,80 a mais por castelo e por pessoa. Mas, na minha opinião, é um custo que compensa. O ingresso para o castelo de Hohenschwangau custa 12 euros para adultos. Para Neuschwanstein, o ingresso individual também custa 12 euros. Caso a ideia seja conhecer os dois no mesmo dia (“King’s Ticket”), o preço fica em 23 euros. Em todos os casos citados, quem tem menos de 18 anos não paga nada. O horário de funcionamento dos castelos no inverno é de 9h às 15h30, e no verão das 8h às 17h.

4° passo: reserve a passagem de trem

A companhia de trem da Alemanha é a Deutsche Bahn. Quem não fala alemão, nem inglês, pode fazer a compra em espanhol. Se você estiver viajando em alta temporada, considere reservar com 20 a 30 dias a passagem de Munique para Füssen. Eu fui em época de Oktoberfest e fiz bem em seguir esse prazo, porque os trens estavam cheios. Tente escolher os primeiros horários, para conseguir visitar a região com calma. Eu peguei o horário das 07:53, chegando às 09:54 em Füssen. Passagem na época custou 25 euros. Voltei no horário das 17:05, chegando em Munique às 19:17. Para fazer a reserva, o site da companhia alemã é este abaixo:

www.bahn.de/

5° passo: visita ao castelo de Hohenschwangau

Depois de chegar em Füssen, é preciso pegar um ônibus da estação até a bilheteria de Hohenschwangau. O ponto de ônibus fica logo ao lado da estação de trem de Füssen. Há placas ilustradas indicando qual veículo passa perto dos castelos. Na dúvida, siga os outros turistas. A passagem não custa mais de 2 euros. É mais fácil fazer o castelo de Hohenschwangau antes de Neuschwanstein por ser mais próximo da bilheteria. Marquei minha primeira visita para começar às 11:45, com audioguia em Português. Um guia vai apenas acompanhando e indicando às pessoas por onde devem seguir.

Visitas com um guia explicando em detalhes o local somente em inglês e alemão. Esse nome complicado do castelo significa algo como Castelo do Grande Condado do Cisne. Ele é menos bonito que o Neuschwanstein, mas vale a visita. Tem muitos detalhes interessantes. Começou a ser construído em 1833 por ordens do rei Maximiliano II e ficou pronto em 1837. Era a casa de veraneio do rei e de sua família. Dele se tem uma visão bem bonita do castelo de Neuschwanstein. Inclusive, no interior, há uma luneta de onde o rei Luís II monitorava a construção do segundo castelo.

Não são permitidas fotos dentro de Hohenschwangau. Veja algumas fotos da fachada do castelo e das áreas ao redor:

6° passo: visita ao castelo de Neuschwanstein

Iniciei minha visita ao tão esperado castelo de Neuschwanstein às 14:15. E o passeio, apesar de durar apenas 30 minutos, é muito interessante. A mente sonhadora do rei Luís II fez o castelo ser muito exótico e diferente. No interior há uma mistura de estilos que torna a construção muito peculiar. Até uma gruta foi erguida lá em um das salas, separando dois cômodos comuns. A reprodução é muito realista, com estalactites e estalagmites, e até uma cascata. A maior doideira. O castelo era um mundo imaginário do rei, com muitos elementos da Idade Média.

As pinturas são inspiradas em obras do compositor Richard Wagner, que como já foi dito anteriormente, era admirado pelo rei. Elas retratam sagas medievais com temas de amor, penitência, culpa e salvação. Os cisnes também são retratados com muita frequência em quadros e esculturas.

O cisne era um símbolo religioso de pureza. O próprio nome Neuschwanstein é uma referência ao “cavaleiro do Cisne”, Lohengrin, da ópera romântica de Wagner. Uma outra curiosidade é que a Sala do Trono não tem trono. Como o rei Luís II morreu antes do castelo e do trono ficarem prontos, nada foi colocado no lugar.

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Assim como no castelo de Hohenschwangau, em Neuschwanstein as fotos não são permitidas no interior. Reproduzo abaixo imagens dos cartões-postais que comprei na loja de presentes localizada no castelo. Veja a riqueza dos móveis e obras de arte, e todo o luxo preparado pelo rei Luís II (que aparece na primeira foto), assim como imagens do próprio castelo em outras estações do ano:

7° passo: explore mirantes e outros atrativos da região

Enquanto se caminha pelos castelos, é possível ver que a natureza ao redor é muito bonita. Há vários mirantes, lagos, montanhas, árvores. O mirante mais famoso e imperdível é o da ponte Marienbrücke. De lá dá para tirar uma foto como a que abre o post, em um ângulo lateral do castelo. Para chegar na ponte é só seguir pela trilha que fica atrás do castelo de Neuschwanstein.

Veja na primeira foto abaixo como ela é alta. Na sequência, o quanto é concorrida. Para tirar uma foto como esta minha é preciso estapear algumas pessoas e ser rápido. E claro, vencer o medo de altura, caso ele exista (esse é o meu caso). Mas a vista compensa qualquer tensão. Quem estiver com tempo sobrando pode ainda tentar visitar o museu dos reis bávaros, que guarda alguns dos objetos preciosos que fizeram parte da vida da realeza local.

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Rafael Cardoso

Carioca da Ilha do Governador, Rafael é formado em Jornalismo. Defende a filosofia mochileira de viagens econômicas, independentes, que respeitam a natureza e as culturas de cada lugar. Adora contar e ouvir histórias desde pequeno. Descobriu que escrever sobre turismo e viagens é uma ótima terapia de vida.

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