RAFAEL CARDOSO: O CARIOCA EM FUGA

Meus primeiros passos como viajante independente estão diretamente ligados ao surgimento deste blog. Até os 23 anos de idade, minhas saídas do Rio de Janeiro se limitavam a Cascavel, cidade no oeste do Paraná onde tenho familiares. Estava sempre acompanhado de mãe e irmão, e nunca com grana própria.

Veio a faculdade de jornalismo, o primeiro estágio, a contratação, um salário mais decente e, finalmente, as primeiras férias. Era janeiro de 2009. Pela primeira vez na vida, tinha dinheiro e tempo livre juntos. Meses antes, comecei a bisbilhotar sites e blogs procurando destinos de viagem. Não me lembro ao certo porquê, mas pirei na ideia de atravessar a Patagônia e chegar até Ushuaia, no “fim do mundo’. Acho que o simbolismo da coisa me atraía. A possibilidade de fugir da rotina e dos problemas, de viver uma grande aventura, de sair da zona de conforto. Estava em busca de novidades.

Procurei pessoas com o mesmo objetivo em fóruns de viagem, troquei e-mails, criei roteiros e trabalhei fortemente aquela ideia. Mas como iniciante, não calculei os custos de uma forma muito precisa. Quando a viagem se aproximou, o dólar deu uma boa disparada. Ficou complicado comprar passagens aéreas e ter dinheiro para os passeios. A Patagônia teria de ser adiada.

Chegaram as férias e nenhum destino escolhido. Passaram os dois primeiros dias. No terceiro, de madrugada, estava muito inquieto pela ideia de ficar um mês em casa. Vi uma promoção aérea e, por impulso, comprei passagens para Porto Seguro, na Bahia. Embarcaria dentro de dois dias. Saí de casa apenas com a mochila, reserva em um albergue de Arraial D’Ajuda para a primeira noite e as passagens de avião de ida e volta. No total, seriam 23 dias de viagem. Nenhum roteiro, nenhum plano. Decidiria tudo no meio do caminho. Começava assim a nascer o espírito mochileiro, de viajante independente.

Dados pessoais e profissionais: sou formado em Jornalismo pela UFRJ e tenho uma especialização em História Contemporânea pela UFF. Recentemente voltei a fazer faculdade: História pela Cederj/Unirio. Como jornalista, trabalhei na Globo por 5 anos e estou há 4 anos na TV Brasil. Sou natural do Rio de Janeiro, nascido e criado na Ilha do Governador. Sou de 1985, então faça as contas aí para descobrir a idade. Interesses vão mudando ao longo da vida, mas pode incluir, além das viagens: futebol, fotografia, violão, doces, vinhos, desenhos, cinema, trekking e cultura latina.

Rafael Cardoso

rafael monte roraima

A HISTÓRIA DO BLOG

Criei o blog como um meio de dizer “mãe, pai, tô vivo”, mostrando fotos e escrevendo um diário com meus passos na primeira viagem em 2009. Passei a registrar as viagens seguintes, fui tomando gosto pela coisa e hoje uso essa ferramenta para ajudar outras pessoas que queiram viver as mesmas aventuras. A missão é inspirar novos viajantes e fornecer dicas que nem sempre são fáceis de achar por aí.

Incentivo os viajantes a ter autonomia, independência, capacidade de organizar as próprias viagens, ter discernimento para reunir informações úteis para cada objetivos. Assim como saúde, educação, segurança e outras áreas importantes da vida, acredito que o lazer é essencial para o bem estar de uma pessoa. Sem ele, doenças mentais e físicas são mais frequentes. Dentre as opções de lazer, viajar é uma das mais completas, permite vivências únicas.

Seja uma viagem para uma cidade vizinha ou para o Japão, todos deveriam ter o direito a experimentar pelo menos uma”fuga” na vida. Não uma fuga no sentido de covardia, mas como uma atitude de coragem. Abandonar por um período a rotina, o conforto, o comum. Encontrar o exótico, o diferente, o que é desafiador. Rever alguns conceitos, reafirmar outros. Voltar transformado.

Cada um tem as próprias motivações: curtir um tempo de maior liberdade, conhecer novas culturas, experimentar novas comidas, enriquecer o álbum pessoal de fotos, tirar onda com o amigo sedentário, esquecer uma decepção amorosa, comemorar uma conquista, se livrar do estresse do trabalho… O importante é meter o pé na estrada. Tá esperando o quê?